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A importância da Fisioterapia Oncológica no cuidado à mulher com câncer de mama

Foto do escritor: Ana Maria Pelacini
Ana Maria Pelacini
1 de out.
4 min de leitura

O mês de outubro é marcado pela campanha Outubro Rosa, um período dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, à importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento.


Falar sobre câncer de mama também significa falar sobre qualidade de vida, funcionalidade, autonomia e reabilitação. Nesse contexto, a Fisioterapia Oncológica desempenha um papel importante em diferentes etapas da jornada da mulher com câncer.


O tratamento oncológico pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e outras estratégias terapêuticas. Embora sejam fundamentais para o controle da doença, esses tratamentos podem provocar alterações físicas que interferem na movimentação, na força, na postura e nas atividades do cotidiano.


É justamente nesse processo que a fisioterapia pode contribuir.


O que é a Fisioterapia Oncológica?


A Fisioterapia Oncológica é uma área da fisioterapia voltada à prevenção, avaliação e tratamento das alterações funcionais relacionadas ao câncer e aos seus tratamentos.


Seu objetivo não é substituir o tratamento médico, mas atuar de forma integrada à equipe de saúde, buscando preservar ou recuperar a funcionalidade e proporcionar mais conforto e qualidade de vida ao paciente.


Cada pessoa apresenta necessidades diferentes. Por isso, a avaliação fisioterapêutica deve considerar o tipo de câncer, o tratamento realizado, as condições clínicas, os sintomas apresentados e as atividades que fazem parte da rotina daquela mulher.


Fisioterapia após a cirurgia de câncer de mama


Após uma cirurgia mamária, especialmente quando há abordagem dos linfonodos axilares, podem surgir algumas alterações que merecem atenção.


Entre elas estão:


- redução da amplitude de movimento do ombro;

- dor ou desconforto;

- fraqueza muscular;

- alterações de sensibilidade;

- alterações posturais;

- restrições e aderências cicatriciais;

- edema;

- risco de desenvolvimento de linfedema;

- dificuldade para realizar atividades do dia a dia.


A fisioterapia pode ser iniciada de maneira adequada e individualizada, respeitando o momento clínico e as orientações da equipe responsável pelo tratamento.


O trabalho pode envolver exercícios terapêuticos, mobilidade, fortalecimento progressivo, orientações posturais, cuidados com a cicatriz, manejo de edema e estratégias para recuperar a função do membro superior.


O cuidado com o linfedema


Uma das alterações que pode ocorrer após o tratamento do câncer de mama é o linfedema, caracterizado pelo acúmulo de líquido no tecido, podendo provocar aumento do volume do membro, sensação de peso, tensão e desconforto.


A avaliação fisioterapêutica é importante para identificar alterações precocemente e estabelecer estratégias de prevenção e tratamento quando necessário.


O acompanhamento deve ser individualizado e pode incluir educação em saúde, exercícios, cuidados com a pele e outras intervenções fisioterapêuticas conforme a avaliação e a necessidade de cada paciente.


Movimento também faz parte do cuidado


Durante e após o tratamento oncológico, a atividade física e o exercício terapêutico, quando indicados e adequadamente acompanhados, podem contribuir para a manutenção da capacidade funcional.


A fisioterapia pode trabalhar aspectos como:


força muscular, mobilidade, equilíbrio, condicionamento físico, resistência, flexibilidade e funcionalidade.


Para mulheres que passaram por tratamentos que provocaram perda de força ou redução da capacidade para realizar atividades cotidianas, recuperar o movimento significa também recuperar parte da independência.


Por isso, a fisioterapia não deve ser vista apenas como um tratamento para uma dor ou limitação específica. Ela pode fazer parte de um processo mais amplo de reabilitação e manutenção da autonomia.


A fisioterapia também olha para além da cirurgia


O cuidado oncológico não termina quando a cirurgia é concluída.


Algumas mulheres continuam apresentando sintomas ou limitações durante meses ou até anos após o tratamento. Fadiga, perda de força, redução da mobilidade, dor, alterações posturais e dificuldades para retornar às atividades habituais podem fazer parte dessa trajetória.


A Fisioterapia Oncológica pode acompanhar diferentes momentos, desde o período próximo ao diagnóstico e tratamento até a reabilitação e o acompanhamento a longo prazo.


Em situações de doença avançada, a fisioterapia também pode atuar dentro dos cuidados paliativos, priorizando conforto, controle de sintomas, funcionalidade possível e qualidade de vida, sempre respeitando os objetivos e desejos da paciente.


Um olhar individualizado para cada mulher


Cada mulher vivencia o câncer de uma maneira diferente.


Por isso, não existe um único protocolo de fisioterapia que possa ser aplicado da mesma forma para todas.


A conduta deve considerar a condição clínica, o tipo de cirurgia, os tratamentos realizados, os sintomas, a capacidade funcional e, principalmente, as necessidades e os objetivos daquela pessoa.


Cuidar da funcionalidade é também cuidar da possibilidade de continuar realizando atividades importantes: vestir-se, pentear os cabelos, cozinhar, trabalhar, abraçar alguém, caminhar, cuidar da própria casa ou simplesmente realizar suas atividades com mais segurança e independência.


Outubro Rosa: prevenção, tratamento e reabilitação


O Outubro Rosa é uma oportunidade para reforçar a importância de conhecer o próprio corpo, realizar os cuidados de saúde recomendados e buscar avaliação diante de alterações suspeitas.


Mas também é um momento para lembrar que o cuidado com a mulher não termina com o diagnóstico ou com o tratamento do câncer.


A reabilitação faz parte de uma assistência integral.


A Fisioterapia Oncológica contribui justamente nesse caminho: ajudando a mulher a recuperar movimentos, preservar sua funcionalidade, lidar com possíveis complicações do tratamento e buscar a melhor qualidade de vida possível em cada etapa.


Neste Outubro Rosa, falar sobre câncer de mama também é falar sobre cuidado, reabilitação, autonomia e vida.


Porque cuidar não significa apenas tratar a doença.

É também ajudar a mulher a continuar vivendo e se movimentando dentro das possibilidades de cada momento.


Ana Pelacini | Fisioterapeuta

Crefito 8/444253-F


 
 

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